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XIIº DOMINGO DO TEMPO COMUM - 22 de Junho 2025 - ANO C

«És o Messias de Deus. O Filho do homem tem de sofrer muito»

 

«És o Messias de Deus. O Filho do homem tem de sofrer muito»

 

+ Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 9, 18-24)

 

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?» Eles responderam: «Uns, João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos

profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo,

renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há de perdê-la;

mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á».

 

Palavra da salvação.

 

Para a reflexão pessoal

retirado por padrepauloricardo.org

No Evangelho deste domingo, São Pedro professa a fé em Jesus Cristo. É um Evangelho bem conhecido, por trazer um episódio narrado pelos três sinóticos, Mateus, Marcos e Lucas. Por isso, à medida que corre o ano litúrgico, é normal que essa passagem torne a aparecer. Jesus, após um tempo buscando mostrar aos discípulos quem Ele é, finalmente lhes pergunta: E vós quem dizeis que eu sou? São Pedro responde: O Cristo de Deus. É sua famosa profissão de fé. No evangelho de Lucas, logo após essa profissão, Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a alguém.

Por que Jesus fez isso? Não vinha Ele buscando manifestar-lhes sua identidade? O Senhor pregou o Evangelho, realizou milagres, expulsou demônios, cumpriu o que as profecias tinham previsto, chegou a ouvir de Pedro, iluminado pelo Espírito Santo, aquela profissão de fé, mas lhes proíbe agora contar o que deveriam anunciar aos quatro ventos?

Por quê? Porque a fé de Pedro, embora verdadeira, é ainda imperfeita. Pedro está certo em dizer que Jesus é o Cristo e o próprio Filho natural de Deus, mas o que nem ele nem os outros Apóstolos viram ou podiam compreender é que o Cristo havia de padecer, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia. 

Aqui está o xis da questão. Jesus os proíbe de contar que Ele é o Cristo porque quer que a fé deles, embora certa em muitos pontos, esteja fundada na realidade, e não no que imaginam ou esperam. Isso é muito importante. Nós vamos à Missa todos os domingos e, junto com os outros fiéis, nos levantamos para rezar o Credo, isto é, para fazer, como Pedro, a nossa profissão de fé. Mas cremos por docilidade e com o desejo de conhecer mais a fundo as verdades da fé, ou porque nos acostumamos a repetir fórmulas em que nunca paramos para pensar?

Reservamos tempo para meditar os sagrados mistérios? Sim, as verdades da fé serão sempre misteriosas em si mesmas, o que não implica que não possamos entender nada acerca delas. Eis aqui uma tarefa que não podemos mais adiar: estudar a fé, ao menos em seus artigos mínimos e fundamentais, bem resumidos no Credo.

É também um ponto que deveríamos incluir em nosso exame de consciência antes da Confissão: dedicamos um tempo razoável, dentro do que permitem nossas obrigações de estado, a nos formar melhor na doutrina católica? É verdade, nós cremos e semanalmente professamos a fé em Jesus Cristo; mas é necessário querer conhecê-lo mais.

Afinal, quem ama quer saber tudo o que pode sobre o amado. Ora, se amamos a Cristo de verdade, nada mais natural do que querer conhecê-lo. A Deus só conheceremos plenamente no céu, onde o veremos face a face, mas já neste mundo é possível e até necessário aprofundar-se no que Ele revelou sobre si mesmo para a nossa salvação.

Jesus ordena aos Apóstolos que permaneçam calados e não saiam proclamando o que já sabem por fé, pois a fé que têm, se é verdadeira e sincera, é no entanto pouco profunda, além de insuficiente para evangelizar como convém. Isso vale também para os leigos. Os casados, por exemplo, têm o grave dever de transmitir a fé aos filhos; mas, para isso, devem eles mesmos, em primeiro lugar, saber qual é a fé a ser transmitida.

Quem não sabe o que tem a obrigação de ensinar é melhor que fique calado antes de aprendê-lo. É o que Jesus, em termos equivalentes, impõe aos Apóstolos: “Não ensineis o que não sabeis. Tendes fé porque acreditais em mim, mas vos proíbo severamente de o contar aos outros antes de vós mesmos o terdes compreendido: O Filho de homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”.

Se entrarmos hoje em qualquer igreja para fazer uma pesquisa sobre o que pensam os católicos a respeito de Jesus, é bem provável que ouçamos a resposta certa: “Jesus é o Filho de Deus feito homem”, e outras não muito precisas, quando não ambíguas e falsas: “Jesus é um iluminado”, “um guia” ou algo assim. Na verdade, não é difícil encontrar na Igreja quem pense “bem” de Jesus; o difícil é achar quem queira segui-lo com a cruz às costas. Será que não estaremos nós nesta situação, parecida com a dos discípulos há dois mil anos, que criam na glória do Cristo Senhor, mas não aceitavam a humilhação do Cristo Servo sofredor?

Acontece que — para repetir um ditado que já virou trocadilho — quem quiser um Cristo sem cruz acabará com a cruz sem Cristo. Esse é o problema. Abracemos a Cristo como Ele mesmo se revelou. Saibamos que a cruz é necessária, não porque o cristão “goste” de sofrer, mas porque é o caminho redentor escolhido por Deus, um Deus de amor que se dispôs a morrer por nós na cruz.

 

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