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Inicio de um NOVO CAMINHO

A Passagem a Filho do CIM

Um momento histórico: os primeiros Filhos do CIM

De Marco Mussini

Quando fiz, em 2014, a consagração ao Imaculado Coração de Maria (CIM) repleto de alegria, não sabia que um dia me tornaria "Filho". De facto, quando dei o passo de me consagrar ao CIM, estava convencido de que tinha atingido o que pretendia: "Já cheguei ao meu equilíbrio, já chega!". Mas, como o meu Pai Espiritual me lembra muitas vezes, na Fé ou vais para a frente ou para trás!

Felizmente, o caminho de Fé que estou a seguir - com muitas oscilações - continua a seguir na direção certa. Isto deve-se, sem dúvida, ao facto de pertencer à FCIM, a esta Família em Fátima, onde se respira o Espírito Mariano intensamente.

Anos depois, tornei-me "Colaborador do CIM" e voltei a ter o mesmo pensamento: "Agora estou bem, é impossível para mim dar/fazer mais!".

Depois de alguns anos e vendo como a FCIM em Portugal estava a crescer e, após interiorizar o que aprendi e ouvi nas inúmeras reflexões, momentos de oração, nas partilhas, nas catequeses, nas férias e sobretudo nos exercícios espirituais, amadureci a ideia de que fui chamado a fazer algo mais importante e superior. No entanto, após analisar a lista de regras que os Filhos deveriam seguir assustou-me, inclusive a missa diária… tudo me pareceu inatingível!

Observando os outros Colaboradores interessados em fazer a transição para Filhos, fiquei curioso para saber o que os deixava tão convencidos e, ao mesmo tempo, estava um pouco invejoso (talvez possa dizer que senti uma “inveja santa”).

Resolvi tentar descobrir o segredo, coloquei-me à prova, segui os conselhos do meu Pai Espiritual e empenhei-me. Decidi: "Vou tentar ir à missa todos os dias durante cerca de dois meses e depois vamos ver o que acontece."

O que aconteceu? Eh! Eh! Experimente também, recomendo!!!

Na vida dos leigos, na FCIM, o Rosário e a Eucaristia são dois pilares fundamentais, isso eu já tinha entendido, mas experimentar – diariamente - encontrar-me pessoalmente e intimamente com o Senhor, isso ainda não tinha experimentado e isso sim fez toda a diferença. Devo dizer que na minha vida tudo começou a ter um sabor diferente. Aprecio mais os momentos, as reuniões, as coisas à minha volta, simultaneamente vou percebendo que me tornei muito mais sensível e atento ao que me rodeia. Parece que amo mais e sofro mais, tudo é exaltado, parece que o Senhor abriu os meus olhos.

Este ano, cheguei aos Exercícios Espirituais com o objetivo de me preparar bem para a transição para o Filho. Os Exercícios pregados pelo Padre Alberto focaram-se no tema: "Faça-me um instrumento válido nas Suas Mãos". Este hino ao amor faz parte de uma oração que o Padre Gino recitava com muita frequência e foi a base das nossas últimas reflexões, antes de nos tornarmos Filhos.

Acho que estes exercícios me deram mais consciência de que a minha caminhada de fé tinha de ir além da esfera pessoal e que tinha de ser projetada. Nós, Filhos, temos de nos tornar mais apóstolos e pensar não só na nossa alma, mas também na alma das pessoas que conhecemos ou que se cruzam connosco ao longo da nossa vida.

É evidente que, como Filhos, precisamos de decidir que queremos seguir um caminho guiado e comprometermo-nos a respeitá-lo, mas se falamos de amor e liberdade, as regras só servem para dar rumo. De facto, quando vivermos verdadeiramente no Espírito do Senhor e seguimos o exemplo de Nossa Senhora, faremos muito além do que as regras nos sugerem: seremos verdadeiros apóstolos e luz para os outros.

Estes exercícios espirituais foram verdadeiramente ricos e culminaram precisamente com a cerimónia solene de consagração dos Filhos, que teve lugar durante a última Santa Missa celebrada no retiro.

Foi verdadeiramente um momento forte e vivido intensamente por todos os consagrados. O coração batia rápido, a alegria transbordava, a felicidade emocional e a gratidão a Nossa Senhora caíam abundantemente através das lágrimas derramadas enquanto pronunciávamos a nossa promessa.

Foi um momento de enorme graça para o qual ainda fico enternecido.

Ao meu lado esteve sempre a minha mulher Vera. Ela também partilhou esta bela viagem e hoje também ela é Filha do CIM.

A nossa viagem como cônjuges foi abençoada pelo Senhor e o selo de Nossa Senhora de Fátima continua a fazer-nos crescer juntos no amor. Mesmo quando me casei em 1999, pensei que tinha dado um passo importante e definitivo, mas estava apenas no início de uma nova caminhada, o início de uma vida partilhada, que tem o seu início de facto quando deixamos espaço para o Senhor.

O que vamos fazer agora que somos Filhos? Chegámos? A experiência ensinou-me que apenas começou uma nova etapa, temos de olhar para a frente com Fé, deixar que Nossa Senhora nos leve pela mão e simplesmente caminhar com Ela.

 

 

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