DOSES DE ESPIRITUALIDADE
La gloria del Padre, la gloria di Dio è che l’uomo viva. Ecco, l’uomo vive in Cristo. (San Giovanni Paolo II)
NEWS
Homilia da Missa do Galo na nossa Obra
de Dom Andrea Tosca
Bendito seja Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem!
Creio que nesta noite de Natal, todos nós não somos os mesmos de há um ano atrás.
E poderão dizer-me, mas que bela descoberta Don Andrea!...
Mas, assim é. Alguns, que se consagraram como filhos e filhas do Imaculado Coração de Maria vivem o primeiro Natal como Filhos. Um outro entrou para a Comunidade da Irmã Elvira, o Cenáculo, ou um outro mudou de comunidade, estão longe dos seus entes queridos, mas estão com os irmãos que Deus colocou agora ao pé de cada um.
Novas famílias surgiram, nasceram filhos, morreram entes queridos..., ah!, e «o nosso Braga», lá está ele a querer dar uma catequese sobre a Encarnação a São João Baptista…, tantas coisas aconteceram, tantas mudanças.
Perante o Natal que estamos a viver hoje, tu estás diferente, mudaste, e espero bem que para melhor, o que quer dizer que te converteste, mudaste, desejando estar mais parecido com Jesus do que estavas há um ano... ou ainda, estás a perceber que neste ou naquele aspeto, ainda estás longe, ainda estás a milhas de distância, ainda tens de te converter neste ou naquele ponto..., e, esta constatação também é uma graça, uma graça do Deus-Menino que te revela ao coração o que precisas mudar para a transfiguração do teu coração, para te assemelhares a Jesus..., para te divinizares e seres um Alter Christus.
Uma coisa é certa. Estamos diferentes nesta noite. Todos nós!
E agora perguntamos, por que é que voltamos à noite?
Como na noite de Páscoa... intuímos que a liturgia nos diz que as coisas difíceis, melhor dizendo, os maiores mistérios do cristianismo festejam-se à noite. Na noite quando já não há sol e porque a noite é sempre aquela parte do dia em que não se vê... e, a propósito das nossas vidas, quantas vezes nos encontramos na noite... ou seja, não sabemos como fazer o que é certo... para onde vamos... se o passo que estamos a pensar dar é o certo... quando nos sentimos um pouco perdidos… e o bom Deus vem na noite... Vem nesta noite hoje para trazer e nos dar o que precisamos. .. naquela aflição... naquela dificuldade...
O Deus Menino vem na noite para nos favorecer com o que nos falta.
À medida que se vai envelhecendo, pode-se ficar mais desiludido, mais desapegado, menos impressionável pelas «luzes de Natal»... em vez destas Luzes de Natal percebe que a cada ano está mais perto do fim, da morte, da sua própria morte! Quer dizer, vive com o sentimento de que está mais perto do encontro final com o Pai! E aí, pensa que deveria estar mais preparado para os dias em que irá viver para sempre com Deus, para Deus, em Deus.
Certamente, quando uma família é jovem com filhos pequeninos, há um clima de ternura, que é natural e ideal... mas, deveremos saber e viver o Natal contemplando toda uma situação dramática, o começo do sofrimento do Filho de Deus que veio para nos mostrar o amor do Pai por obras, o Filho de Deus que veio nos salvar!
Jesus vem ao mundo numa situação muito difícil.. não há nada de romântico ou poético na sua vinda ao mundo, com todas as circunstâncias adversas muito difíceis e improváveis, e, além disso, Ele vem num momento histórico preciso. Jesus Cristo entra na história e alinha-se com a história, acompanha com a sua vida a de todos os outros, entra nas construções da época, entra com humildade nas circunstâncias daquele momento histórico particular. E também Maria e José não são privilegiados, não se colocam fora da história, pois têm de assumir a paternidade e maternidade de Jesus, cuidar dele, têm de tomar conta Dele, e tudo isto não os põe de parte mas os coloca ainda mais intensamente dentro da própria história.
Acho que esta é uma indicação para cada um de nós, a primeira que gostaria de compartilhar convosco. Temos de ter consciência de que o cristianismo nunca é encontrar um caminho que nos tira da história, que nos tira da vivência histórica e das circunstâncias! Assim, mesmo quando a história é injusta, mesmo quando não gostamos da história... quando estamos imersos em circunstâncias que muitas vezes não escolhemos... em tantas outras coisas que não escolhemos para a nossa vida... mas, elas existem e estão ao nosso redor sem nos pedir autorização, entraram à força e começaram a condicionar as nossas vidas...
O que fazer diante deste tipo de circunstâncias que condicionam a nossa vida? A nossa primeira reação é a de fugir, de sentir desalento... porque nos sentimos impotentes... porque não queremos viver circundados de coisas que não queremos mas que somos obrigados a viver...
Temos de saber que ser cristão é ser alguém que sabe que a história da salvação acontece apesar de todos os condicionamentos da história à nossa volta.
A História da Salvação não é uma história que absorve o lugar das injustiças... que se coloca no lugar das notícias... A História da Salvação não é uma história que se abre no meio dos condicionamentos que todos nós experimentamos... Não! A História da Salvação é uma história que nasce dentro daqueles condicionalismos... dentro daquelas injustiças... dentro de tudo aquilo que não escolhemos... e que muitas vezes condiciona as nossas vidas...
Aceitar as circunstâncias é o primeiro sinal de uma esperança que brota dentro de cada um de nós porque um cristão lembra-se e sabe que Jesus Cristo está disposto a vir ao mundo apesar do que acontece no mundo... apesar das tragédias que acontecem nas nossas famílias... apesar de todos os nossos erros... de todos os nossos pecados... em abono da verdade...só mesmo por eles... para nos salvar de nós mesmos!
Respondam a esta pergunta: Deus ama-te mais a ti ou ao seu Filho, Jesus?
Responde verdadeiramente a esta pergunta no fundo do teu coração.
Sabem qual é a resposta certa?
Deus ama-me mais a mim, ama mais a cada um de nós, porque se dispôs a sacrificar o seu único filho na Cruz!
Perante este facto, que podeis conhecer como de uma resposta de catequese, uma coisa é certa, ninguém, nenhum de nós pode ficar indiferente... se deixares que o Deus Menino penetre o teu coração não podes ser indiferente! Tens de responder a este amor infinito até ao fim!
E, por isso tens de Lhe responder! Talvez dizendo sim a Jesus que te chama a segui-lo como sacerdote ou como religioso! Tens de responder!
Talvez Ele esteja a dizer-te para parares com aquele hábito ou com aquele pecado para sempre! Lembra-te que as escolhas de conversão são feitas apenas por amor!
Por que é que provocas o sofrimento a Jesus! Nossa Senhora disse aos pastorinhos aos pequeninos Francisco e Jacinta que viram Nossa Senhora triste quando apareceu em Fátima! Eles viram-na a chorar! Ver a Mãe de Jesus a chorar! Sabes o que isso significa? Só posso imaginar. A Nossa Senhora chora quando nos «rebelamos pelo pecado» contra o amor do seu Filho Jesus e pelo amor do Pai! A nossa Mãe chora de dor porque nos queremos chafurdar na pocilga, quando podemos ser muito mais porque filhos de Deus que sacrificou Jesus, que nasce hoje.
É pecado preencher a vida com o que é errado, ao passo que conversão significa abrir espaço a Jesus...
Nesta noite, em Belém, não há lugar para Jesus e esta é uma imagem sugestiva para a vida de cada um e acima de tudo para a nossa vida espiritual... porque o Evangelho quer sugerir que Jesus precisa de um lugar, de um espaço vago para vir ao mundo... Espaço, Jesus precisa que tenhamos um espaço, um lugar... e quando estamos «cheios», isto significa que não há espaço para Ele, não há espaço para acomodar Jesus...
Eu sei que estamos todos um pouco fartos de moralismos... e quando pensamos em «estar cheios»... pensamos simplesmente que se está cheio de orgulho, cheio de altivez... Mas não é só isso que quer dizer... Pois é…, às vezes estamos cheios de resoluções... às vezes estamos cheios de projetos... às vezes estamos cheios de expectativas... estamos cheios e tão cheios de tantas maneiras porque não gostamos da sensação de vazio... por exemplo, não gostamos da falta... Quando nos falta alguma coisa temos logo que suprir essa falta... Na grande tentação da idolatria na Bíblia o ídolo não é uma forma de ferir Deus... é a própria tentativa humana de enfrentar o medo da falta... Quando o homem se sente vazio, ele tem de se agarrar a alguma coisa porque não pode ficar naquele vazio, naquela falta... ele não pode suportar a fome... Lembra-te, quando Jesus está a tentar no deserto, o evangelista diz que depois de 40 dias teve fome... o que poderíamos traduzir assim... depois de 40 dias Jesus experimenta o vazio... a falta... E o que faz o diabo... ele apresenta-se imediatamente quando Jesus sente uma falta... E o que é que o diabo lhe propõe?... as primeiras coisas que encontra... transforma aquelas pedras em pão para preencher aquele vazio... Conseguem perceber que esta é a tentação de cada um de nós... à medida que sentimos uma falta... imediatamente queremos preenchê-la... com alguma coisa... às vezes sentimos falta.. de amor... e tentamos preencher com alguma coisa... falta de estima dos outros… ou superiores... e tentamos preencher... com alguma coisa... falta de autoconfiança.. .. e tentamos preencher essa falta com alguma coisa... Não suportamos a ideia de sentir o vazio... uma falta...
No entanto, só a fé nos pode ensinar que quando encontramos a nossa falta, temos um lugar onde podemos acolher Jesus... às vezes até parece que preenchemos com eficiência a nossa falta de fé procurando muito fazer, mas porque não queremos deixar-nos tocar e isso é terrível... Na realidade, mesmo que estejamos a preencher o vazio com algo aparentemente bom, em abono da verdade, estamos a excluir Jesus como nossa meta, nosso fim...
Então, qual é a mensagem que o Natal nos dá?... Para que o Natal possa acontecer em ti, tens de fazer a paz com as tuas carências, com as tuas faltas, com os teus vazios... Tens de deixar de querer preenchê-las... Tens de desistir de querer ter uma segurança imediata... Tens de aceitar a precariedade do vazio... Em verdade, tens de ter a coragem de nomear as tuas deficiências, porque quando consegues dar um nome ao teu vazio, ao vazio que carregas dentro de ti ou a tantos vazios que tens dentro de ti, isto é um bom sinal, encontras-te em meio de uma experiência espiritual extraordinária... Parece-te que nada tens... que és o mais pobre ou o mais miserável de todos, sentes que te encontras numa situação em que já não te resta esperança... que não vales nada... que nada faz sentido... Mas, no momento em que aceitas a tua condição... Jesus pode vir, Jesus pode entrar... Ele pode manifestar-se... Jesus pode ser aceite.
Estamos convencidos de que Deus se manifesta nas nossas vidas a partir dos nossos talentos... e, no entanto, em verdade deveremos saber e ter a certeza de que Jesus se manifesta poderosamente nas nossas deficiências... nos nossos vazios...
Queridos irmãos e irmãs, não é o mesmo para cada um de vós?
Durante muitos anos das nossas vidas tivemos uma má conceção da nossa história... Julgamos que somos infelizes... porque tivemos esta história... pensamos que somos vítimas... porque o que aconteceu nas nossas vidas privou-nos, esvaziou-nos... nos fez carentes de alguma coisa... e se aquele vazio... aquela falta... fosse pelo contrário o mais importante que aconteceu na tua vida?...
O que é que acontece perante aquelas estalagens cheias... José tem de procurar um lugar, um lugar para permitir a vinda da luz, a vinda de Jesus... e o único lugar vazio é um abrigo de animais... então imaginem que a gruta de Belém não é um lugar ideal... é um lugar impuro... indigno do Filho de Deus... é um lugar improvável... e o que é que José pensou? Deus escolheu-me e nem sou capaz de lhe dar um lugar digno para nascer... mas este é o lugar onde Jesus vem ao mundo, este é o lugar escolhido para Jesus... Então, se por um lado temos tanto medo de admitir que somos indignos, de termos coisas contraditórias nas nossas vidas... de sermos impuros... de não termos uma folha limpa.... o facto de Jesus ter nascido no lugar em que foi é revelador e é uma esperança para cada um de nós porque significa que ali onde tudo parece perdido... afinal, parece que é o lugar ideal onde Ele pode nascer...
Nesta Noite de Luz infinita, procuremos a reconciliação com as nossas carências... com o nosso vazio... olhemos para este vazio como o lugar decisivo onde o Verbo se pode fazer carne... onde se pode manifestar na nossa vocação... onde Jesus pode se tornar novamente visível... Também nos quer dizer que temos de deixar de olhar para as nossas vidas como sugere o acusador... o diabo faz-nos olhar para as nossas vidas com desprezo... com julgamento... com o dedo apontado e acusador...
O natal do Deus Menino desarma estes julgamentos que nós todos carregamos dentro de nós... Sabemos que o mais difícil é não obter o perdão de Deus... Mas… e perdoarmo-nos a nós mesmos... às vezes não nos perdoamos... não perdoamos a nossa história...
Mas todos somos filhos de um Deus do impossível... de um Deus que tudo pode... Será que acreditamos verdadeiramente que Deus tudo pode... que pode virar as situações... que pode abrir caminhos no deserto... que pode remover obstáculos...
Acolhamo-lo esta noite, na nossa noite, na pobre palha da nossa existência... É Ele que a enriquece e que faz dela o terreno mais precioso para nascer.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Amem.
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La gloria del Padre, la gloria di Dio è che l’uomo viva. Ecco, l’uomo vive in Cristo. (San Giovanni Paolo II)