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Paixão, Morte e Ressurreição

7ª Catequese FCIM 2023-24

de Pe. Luís Dias icms

 

O mistério pascal

No centro do anúncio da Boa Nova pelos cristãos de todos os tempos está o Mistério Pascal, ou seja, a realização, na paixão, morte e ressurreição de Jesus, do projeto de Deus de conduzir todos os homens à salvação e ao conhecimento da verdade.  Estes acontecimentos mudaram inexoravelmente o destino da humanidade, que estava condenada a sucumbir sob as consequências do pecado, dando-lhe a esperança da vida eterna em Deus.

O termo Páscoa significa passagem, e as suas raízes históricas encontram-se na travessia milagrosa do Mar Vermelho pelo povo de Israel, ou seja, um acontecimento de salvação. Esta passagem física significava a passagem da escravidão à liberdade, da morte certa nas mãos dos egípcios à vida nova pelo dom de Deus. No entanto, esta primeira Páscoa não era mais do que uma prefiguração da verdadeira Páscoa, que é aquela que é realizada por Cristo através da sua paixão, morte e ressurreição.

 

A condição do homem antes da salvação

Para compreender toda a extensão do acontecimento salvífico realizado por Deus no mistério pascal, o primeiro passo é compreender a condição existencial em que o homem se encontrava. A partir do pecado original, o ser humano viveu uma vida limitada por um tempo efémero, marcado pela morte. Esta condição existencial é profundamente frustrante para aqueles que, como o homem, têm sede de infinito, de eternidade. Além disso, o tempo de vida nesta terra é marcado pela alegria, mas também por muito sofrimento, doença, guerra e, finalmente, morte.

Precisamente nesta nossa condição surge a salvação de Cristo, que oferece a sua vida para redimir as nossas vidas. É por isso que a paixão, morte e ressurreição é também chamada de obra da Redenção, porque através destes acontecimentos fomos redimidos, ou seja, libertados da condição acima descrita e tornados filhos de Deus, participando na vida nova de Cristo, que é eterna, começa nesta terra mas continua no Reino dos Céus, na presença de Deus para sempre.

Participação no sacrifício de Cristo

O sacrifício de Jesus é perfeito e o seu efeito estende-se a todos os homens e mulheres de todas as épocas. Mas também nós podemos contribuir misteriosamente para essa plenitude. Esta verdade é-nos assinalada por São Paulo e, mais tarde, por muitos santos.

Em tempos mais recentes, este convite a unirmo-nos à Paixão de Cristo é-nos reiterado de forma muito clara e forte na mensagem de Fátima. De facto, tanto o Anjo de Portugal como a Virgem do Rosário convidam os Pastorinhos a oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores e a reparar as ofensas a Deus e à própria Virgem Maria. Estes convites são um apelo para nos tornarmos participantes da Paixão e Morte de Cristo através das nossas cruzes quotidianas. Deste modo, tornamo-nos instrumentos de salvação para os nossos irmãos e irmãs e reparamos os pecados pelos quais Deus é continuamente ofendido.

Como recordação perpétua da centralidade da Paixão de Cristo, há um costume muito difundido na vida de cada cristão de usar um crucifixo ao pescoço e de o pendurar em casa, para nos lembrar a que preço fomos redimidos.

 

A ressurreição

Ao terceiro dia, o Senhor ressuscita. Depois de todo o sofrimento sem precedentes da Paixão e da Morte, vem a vitória da Ressurreição de Cristo. Nele ressuscitou toda a humanidade, que foi criada desde o princípio para viver eternamente em perfeita comunhão com Deus, mas foi privada disso pelo pecado.

 

Novidade da Ressurreição Pascal

A possibilidade da Ressurreição era uma questão debatida no seio do povo de Israel. Havia alguns grupos, como os fariseus, que acreditavam nela, e outros, como os saduceus, que a rejeitavam. Jesus não só afirmou a existência da Ressurreição durante a sua pregação, como também a concretizou durante o seu ministério e, como consequência de ter ressuscitado Lázaro, os seus inimigos decidiram condená-lo à morte.

A ressurreição de Jesus, no entanto, é diferente das que Ele operou na sua vida pública; de facto, as pessoas ressuscitadas por Jesus conservavam todas as caraterísticas normais da vida terrena, como o envelhecimento, a submissão a todas as leis físicas e até a morte.

A ressurreição de Cristo, pelo contrário, vence a morte e todas as consequências do pecado, de modo que Cristo não ressuscita para uma vida como “a anterior”, mas para uma vida gloriosa. De facto, o Seu corpo está tão transfigurado que, a princípio, não é reconhecível pelos Seus apóstolos. Ele já não tem de se submeter às leis físicas, pelo que entra no Cenáculo com as portas fechadas. A doença, a velhice, a dor e a morte já não têm poder sobre Ele.

A grande novidade é que esta Ressurreição é comunicada a cada homem através do Espírito Santo, dando resposta ao desejo de infinito que está presente no coração de cada pessoa, um desejo que até então não tinha resposta.

 

Deus verdadeiro

A prova suprema da divindade de Jesus é precisamente a sua Ressurreição. Só Deus é o dono da vida e Cristo ressuscitado manifesta a sua vitória sobre a morte. Desta forma, Ele deixa claro que é verdadeiramente o Filho de Deus, especialmente depois de todas as dúvidas que surgiram no coração dos apóstolos por causa da sua paixão e morte. É essencial ter sempre presente que Cristo é o Ressuscitado, que dá a vida eterna. Caso contrário, corremos o risco de cair numa visão mutilada de Jesus, que o vê apenas como um homem que comunicou boas ideias. Se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é vã. A Ressurreição de Jesus é uma evidência tão esmagadora que, desde o início, os inimigos da verdade procuraram negá-la. Ainda hoje, algumas correntes de pensamento pseudo-cristão afirmam que a Ressurreição de Cristo é apenas espiritual e não material. Pelo contrário, é uma verdade de fé que Jesus ressuscitou para uma vida nova em corpo e alma, e isso é testemunhado pelos apóstolos até ao sangue do martírio.

 

Todos nós morremos com Cristo e n'Ele ressuscitamos

A certeza da Ressurreição é o fundamento da esperança cristã, cuja presença leva os discípulos de Jesus a enfrentar todas as cruzes para não se separarem da comunhão com Deus. A Ressurreição afirma ao nosso coração que Deus é mais forte do que qualquer mal, mesmo o mais inevitável de todos, que é a morte. Daí a constatação de que o sofrimento é sempre passageiro, mas que o Bem é eterno. Esta certeza é-nos demonstrada no martírio sangrento de tantos cristãos ao longo dos séculos, mas manifesta-se também na vida de todos aqueles que, através da sua fidelidade quotidiana a Cristo e ao seu Evangelho, continuam a sua obra redentora.  

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